Bezerra de MenezesAdolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti no dia 29 de agosto de 1831, em Riacho do Sangue, hoje cidade de Solonópolis, no Estado do Ceará.
Criança educada, inteligente, o que mais influi no seu espírito, foi o caráter honesto de seu pai... nunca se soube de qualquer deslize, conduta exemplar. Recebeu de seus pais, educação religiosa, sob a rigorosa observância do patriarcalismo, e sob as normas rígidas do catolicismo. Aos 7 anos inicia o curso primário na Vila do Frade; com 11 anos começou o curso de Humanidades na cidade de Imperatriz, no Estado do Maranhão; aos 13 anos de idade torna-se professor de Latim na própria escola; com 20 anos, no dia 05 de fevereiro de 1851, viaja para a Corte brasileira, com o objetivo de ingressar no curso de medicina em São Sebastião do Rio de Janeiro (Capital do Império Brasileiro). Aos 25 anos de idade, em 1856 concluiu o Curso de Medicina, durante o qual “sempre obteve, nos exames finais, a primeira nota da Faculdade – classificada em latim: Optima cum laude – ótimas com louvor”. Defendeu a tese “Diagnostico do Cancro”, atualmente (Câncer). Em 1° de junho de 1857, tomou posse na Academia Imperial de Medicina.
Chefe de família extremamente dedicado, atencioso e carinhos com os seus. Bezerra consorciou-se em 1858, aos 27 anos com Maria Cândida de Lacerda, que viria a falecer alguns anos depois, deixando-lhe dois filhos. Contraiu casamento, em segundas núpcias, aos 34 anos, em 1865, com Cândida Augusta de Lacerda Machado, a fiel companheira, que lhe deu sete filhos.
Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, foi profissional Humanitário, Político, Homem de Empresa...
O carinho, o devotamento e o amor com que tratava os doentes que o procuravam, principalmente os pobres, os que não podiam pagar consulta e aos quais, não poucas vezes, dava o dinheiro para comprarem os medicamentos, essa maneira de ser, fê-lo cobiçado pela política. Embora relutando, aquiesceu, a pedido da esposa, em candidatar-se à vereança, sendo eleito pelos liberais de São Cristóvão, em 1860. Dentre as principais atividades destacam-se: Membro da Academia Imperial de Medicina; Cirurgião-Tenente do Exército; Companhia de Estrada de Ferro Macaé a Campos; pretendia o provecto administrador estendê-la até o Rio Doce, com a finalidade de proporcionar acesso ao mar à Província de Minas Gerais; foi Vereador por dois mandatos consecutivos: 1860 e 1864 pela cidade de São Cristóvão; Deputado duas vezes por São Sebastião do Rio de Janeiro, Capital Brasileira nos anos de 1867 a 1882.
Quando Adolfo Bezerra de Menezes contava com 55 anos de idade, em certa ocasião, recebeu das mãos de Dr. Joaquim Carlos de Travassos, uma edição de O Livro dos Espíritos, assim que este acabava de traduzi-lo. A 16 de agosto de 1886, no Salão da Guarda Velha, no Rio de Janeiro, perante cerca de duas mil pessoas, o Dr. Bezerra, em solene discurso, declarou sua adesão ao Espiritismo. Era um homem de bem e necessitado. A sua vida de apóstolo dignificou o Espiritismo. Nesse breve relato da vida desse missionário de Jesus Cristo, fazemos alusão sobre algumas das principais atividades desenvolvidas nas fileiras do Movimento Espírita Brasileiro.
A partir de 1886, durante 7 anos consecutivos, escreveu o jornal “o País” dirigido pelo abolicionista Quintino Bocaiúva. Vale ressaltar que este veículo era o periódico de maior circulação na época do Brasil Império de cuja coluna intitulava-se: Espiritismo Estudos Filosóficos, sob o pseudônimo de Max. Aos 64 anos de idade, em 1895 assumiu a presidência da Federação Espírita Brasileira – FEB. Nessa atividade, Dr. Bezerra de Menezes soube aliar, em admirável equilíbrio emocional, a mente e coração, conseguindo restabelecer a paz entre os obreiros da Casa Mater do Espiritismo no Brasil. Implantou orientação eminentemente evangélica; defendeu o Espiritismo tirando-o da Proibição do Código Penal Brasileiro e foi considerado o Kardec Brasileiro; desenvolveu diversas atividades evangélicas, caritativas, morais e de assistência social sem, todavia  jamais desfalecer, em qualquer delas no auxilio aos semelhantes; realizou o Primeiro Congresso Espírita que contou com a participação de 34 Entidades Espíritas.
Pseudônimos:

         O Espírito do Dr. Adolfo Bezerra de Menezes desprendeu-se do corpo denso, aos 69 anos de idade, às 11 h 30 min do dia 11 de abril de 1900, na cidade que serviu de palco para sua vida verdadeiramente apostolar. Do outro lado do Atlântico, a voz de intrépido evangelizador espírita francês, referindo-se a Bezerra, declarava emocionada: “Lors que de tels hommes disparaissent, c’est um deuil, non seulement pour lê Brésil, mais pour les spirites du monde entier”. (Quando tais homens deixam de existir, enluta-se não somente o Brasil, mas os espíritas de todo o mundo). Essa voz era de Leon Denis, um dos maiores discípulos de Allan Kardec.
Após sua entrada no Mundo Espiritual, Dr. Bezerra retomou de imediato, suas funções de médico e benfeitor. Através de médiuns dedicados, dá assistência a inúmeras instituições ou pessoas, espíritas ou não. Onde haja médicos ou enfermeiros de alma voltada para o bem, o Dr. Bezerra lhes dá amparo. Igualmente nos lares, nas coletividades, o Dr. Bezerra estará presente pelos fios da intuição, quer diretamente, que por meio de enorme legião de colaboradores, para sanar dificuldades e aliviar dores do corpo ou da alma.
Cinqüenta anos após seu Desenlace:
Uma Festa na Espiritualidade é o titulo que encima o relato do professor Ramiro Gama, ao descrever a brilhante comemoração desenvolvida no espaço, no dia 11 de abril de 1950, quando transcorria o cinquentenário da desencarnação do Medico dos Pobres.
Enorme quantidade de Espíritos Espíritas participaram da solenidade. O médium Francisco Cândido Xavier, convidado, também esteve presente em espírito. Inesperadamente, apresentou-se se no local o luminoso Espírito Celina, portadora de convite especial de Maria Santíssima ao Dr. Bezerra para que passasse a colaborar em uma tarefa maior, numa espera mais elevada.
De joelhos, comovido até as lagrimas, o Dr. Bezerra pediu para continuar por mais algum tempo, em seu posto, nas proximidades da Terra.
Em poucos instantes, consultada pela mensageira, Nossa Senhora enviou a resposta: “Que sim, que Bezerra ficasse no seu posto o tempo que quisesse e sempre sob suas bênçãos!”
O luminoso benfeitor preferiu continuar com seus encargos, nas adjacências da Terra, por mais duzentos anos, a partir, evidentemente de 11 de abril de 1950, data da concessão”.
(Texto extraído do livro Dr. Bezerra de Menezes – Perfil de um Mestre  - 4ª Edição – autor Carlos Alberto Pogetti – Editora Sirius Consultoria e Editoria.)